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sábado, 31 de dezembro de 2011

FÉ 2012

Por Anderson Tomio





Não tenho medo de olhar pra trás, porque sei que fiz a minha parte para que o caminho fosse tranquilo. Quando cansei sentei a beira da estrada, mas não perdi a fé, olhava ao céu e conversava contigo porque sabia que me renovarias minhas forças para seguir adiante. O medo desviou e nem veio ao meu encontro porque a certeza do teu amparo era constante. Continuei minha jornada! Em alguns momentos olhei pra para trás e via que já era longa à distância percorrida, que muitos obstáculos já tinham sidos superados, mas outros me aguardavam lá à frente.  Respirei fundo e com passadas firmes continuei a seguir o caminho que eu mesmo estava fazendo, colocando cada pedra no seu devido lugar, cobrindo cada buraco para que minha caminhada não tivesse nem tropeços nem quedas.  Pensa que foi fácil? Mas quem disse que tinha que ser! Bem diz as sábias palavras de que “Deus nos dá o fardo de acordo com as forças que temos para carregá-lo” e assim acredito, pois consegui carregar o meu em meio algumas dificuldades. Minhas energias foram todas carregadas a cada anoitecer em que acomodava meu corpo para o repouso, mas não sem antes falar contigo, agradecer, pedir ou mesmo elevar o pensamento e silenciar adormecendo sem dizer palavra alguma, mas com a certeza que tinhas me ouvido. Eu sei que ouviu! Tanto é que nessa etapa da vida, nesta parte do caminho, com tua ajuda e com minha vontade, superei os desafios que colocaste para mim, porque na verdade não querias dificultar minhas vitórias, mas como um bom técnico, como um excelente treinador, queres me ver aperfeiçoar.  Que satisfação saber que a jornada não acabou, mas também se tivesse terminado hoje, mesmo não sendo a minha vontade para o então momento, você saberia a razão de ser.  Te agradeço pela companhia nesse ano que termina hoje, não em tom de despedida, porque sei que estarás comigo no ano que logo começa. A caminhada continua! Mas agora, tenho da escola que é a Vida, um pouco mais de experiência, adquiri novos conhecimentos, as energias, as forças se renovam porque sei que tenho mais um caminho a percorrer, fiz planos, tracei metas e em busca da realização destes planos e metas é que estarei focado, tendo um rumo a seguir. Não, de forma alguma deixarei você de lado, porque nada poderá me dar mais força, nada poderá dar fé e me amparar na hora certa do que você. E sabe naquelas horas em que bancamos o adolescente rebelde, que entra no quarto bate a porta e quer se isolar de tudo e de todos achando que sabe tudo, sei que nessas horas colocas meu anjo guardião comigo que me intue, que fala em meu pensamento faz as lágrimas rolarem, a raiva passar, e ficar horas analisando a vida. Hora perigosa essa! Porque se não dou ouvidos a você as oportunidades para ouvir o ruim se instala. Mas fico atento e mesmo em momentos em que quero fazer valer meu livre arbítrio não custa ouvir teus bons conselhos. Obrigado por estar comigo nesse ano que agora finda, o ano de 2011 em que contigo consegui realizar sonhos e me descobrir capaz, saber que posso, porque tantas vezes o olho alheio teimava em me ver como incapaz. Aliás, você me faz ter a certeza que todos somos capazes e que as oportunidades aparecem, mas se não estamos contigo, se não estamos atentos elas podem passar. E no ciclo da vida podem voltar ou não. O futuro você sabe, eu o imagino, mas para que se torne realidade vou seguir em frente, fazendo acontecer, procurando estar atento as oportunidades que surgem no meu caminho e forte o suficiente para transpor todas as barreiras. Tenho fé! Ela é maior das forças que existem, rege e modifica ate mesmo nosso pensamento e nossa maneira de ser. Melhoramos! E que venha 2012, o ano abençoado por ti, para que tenhamos ainda mais fé, que nos tornemos seres humanos melhores e que eu e todas as pessoas façam valer a paz entre todos. Obrigado por sua companhia hoje e sempre e que eu seja e que todos sejamos pessoas felizes e realizadas nesse novo ano. Que assim seja!
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Imagemoriginal: http://www.piox.org.br/site2011/?p=1221
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Violeta: a cor da Trasmutação -  trasforma energias ruins para energias boas.
Laranja: a cor da Sabedoria e do Intelecto
Branco: a cor da Paz. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Decolagem para vida!

Anderson Tomio




Era para ser um sim, quando me olhei ao espelho
e o não ecoou mais alto causando aflição.
Acreditei ser o sussurro do medo e da insegurança,
e disse sim indo em frente rumo à porta da rua.
Não ousei ficar nem um instante parado
apesar de não ter ido além das calçadas da varanda.
Os pés colavam no piso como  dizendo-me algo
e eu gritando por dentro já abria as asas querendo voar.
Não tive as forças necessárias para alçar meu vôo,
mas tive toda brutalidade para bater a porta
e ficar recluso no meu habitat silencioso,
querendo apenas ouvir a tua voz como melodia.
Não marcaste a presença tão esperada,
sentei a poltrona lendo um livro e me ouvindo ler.
Era estranho, mas eu dizia para mim mesmo que eu queria
buscar o mundo no sossego do entardecer.
Fechei o livro e no estalo me senti  vivo,
arrumei a plumagem de condor que quer voar.
Não exitei, fechei os olhos e me lancei!
Abri a porta sai ao mundo,
no sabor do vento e a planar.
O grito interno cessou como a torneira que  fecha
o gotejar hipnótico e
senti a leveza  a grande clareza que é viver!
Dei conta de mim e ao meu encontro logo voei,
e sem  espelho agora eu vejo tudo que sou.
Viagem interna, reflexão ousada, nada fulgaz
a  vida terna sabedoria de um entardecer.
Olhos brilhantes ao largo sorriso do alvorecer.
Vôo bem alto, trasponho portas e as janelas para aprender,
é o momento, o pensamento a me dizer,
que aprendo hoje, relembro o ontem de um futuro que vou colher.
A vida é mágica com o sol ou chuva ainda sorri
não caem  as lágrimas da alegria da breve ida, o meu partir.
Volto do vôo sou mais eu pleno
Olhar sereno a contemplar.
A vida bela e o céu é seu para voar.
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Imagem:http://www.idademaior.net/

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sentidos do amor

Anderson Tomio





Olho,
Sigo ao longe, vou seguindo o meu viver,
Vivo, sinto a brisa que toca ao entardecer,
Vejo no horizonte o céu rubro de coração,
Sinto na pele o toque o beijo vindo me aquecer,
Quero, no teu abraço, tirar o cansaço de meu viver,
Não paro nem um segundo tenho o rumo no meu viver.
Venha fique ao meu lado bem aparado no coração,
Sinta cada batida amor e vida minha canção,
Canto e por ti eu ando de passos firmes e pé no chão,
E logo tenho o meu futuro, amor bem puro sem ilusão,
Abro largo sorriso, meu paraíso a me acolher,
Em cada afago um beijo dado no abraço de gratidão.
Ouço,
Sigo ao longe o som que vem do teu coração,
Abro sou todo ouvidos e nessas ondas vou te encontrar,
Sei que não me perco, pois és o rumo que vou seguir
Ando, corro e grito chama aflito por meu amor,
Mas o que é passado ficou parado é só esquecer,
Lembro do teu olhar a me falar que é o amor.
Toco,
Sinto tua pele, não mais espere por um dizer,
Faço de cada tempo, único espaço de minha estrela só a brilhar
Amo sigo e te ouço, não mais espero acontecer,
Juntos ao entardecer avistaremos o sol raiar,
Passe que o tempo voe leve adiante nossa paixão,
Ecoe feito o sino, amor que bate no coração
Não mais se perde, doce desfecho, firme desejo, realização,
Amor que fica, abraça e ata a nossa vida em união.
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Imagem: cienciahoje.uol.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Deficiência - O peso que uma palavra pode ter!

Por Anderson Tomio


Quantas vezes nos olhamos no espelho e procuramos algo pra reclamar em nosso corpo? Seja a os quilinhos a mais ou a menos, o cabelo liso ou encaracolado, pele oleosa, pele ressecada, nariz largo ou nariz fino. Bom, se eu fosse realmente descrever as coisas com as quais eu já ouvi pessoas reclamarem, de fato seria um post muito logo. Mas meu objetivo aqui não é me estender, é sim fazer que reflitamos juntos sobre uma questão que pra mim, ainda soa em nossa sociedade como forma de diferenciação entre nós seres humanos. Nossos sentidos. Esse que acabam sendo uma forma de diferenciar-nos e que por sua vez na maioria dos casos uma raiz ao preconceito, a falta de entendimento no que carece de conhecimento mesmo, sendo ignorância no sentido pleno da palavra. Então vamos ao ponto.

DEFICIÊNCIA: 

Deficiência é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Diz respeito à biologia da pessoa. Este conceito foi definido pela Organização Mundial de Saúde (http://pt.wikipedia.org/wiki/Defici%C3%AAncia)



Partindo desta definição em que “ausência ou disfunção” tornam-se a meu ver a chave de toda uma questão.
Farei me entender da seguinte forma. Penso assim: o que tem ausência ou uma disfunção tem uma “restrição” - Logo eu não usaria a palavra deficiência e sim restrição. Parece bobagem diante de um assunto tão relevante, mas na verdade vejo o peso nas palavras, o que elas carregam consigo.
Exemplo:
Sou um garoto deficiente visual.
Sou um garoto com restrição visual.
Percebeu o a diferença? Ela já esta incutida na sociedade em geral, que o deficiente tem algum problema e para muitos ele é problema. Questão de consciência? Pode ser, mas as palavras têm peso e muitos não suportam o fardo de carregá-las, outros já têm toda força para lançá-las de forma descompromissada doa a quem doer.

Se há pessoas deficientes, logo deve haver pessoas normais, sem deficiência.
Se há pessoas com restrição, logo, deve haver pessoas sem restrição. Será?

Na deficiência nos diferenciamos de forma pejorativa, mas nas restrições a meu ver não. Porque restrições todos temos. Já pensou nisso quando se olhou no espelho e começou a reclamar?
Há pessoas com restrição alimentar fazendo dietas, com restrição alcoólica ao fumo e as drogas fazendo tratamento para largar o vicio, com restrição a liberdade cumprindo pena por um delito, com restrição ao crédito por estar inadimplente, com restrição a folga por estar dentro da sua jornada de trabalho dentre tantas outras restrições que o ser humano pode ter. Sendo assim, todos nós temos restrições. Então porque não abolirmos a pesada palavra deficiência e sermos todos restritos. Assim todos teríamos uma e poderíamos ser iguais.
Logo não teríamos pessoas deficientes e sim pessoas com restrição.
Pessoas com restrição visual; 
Pessoas com restrição locomotiva;
Pessoas com restrição sonora e auditiva;
Pessoas com restrição supra-cognitivas. (o que hoje é classificado como deficiência mental)

Pois bem, há pessoas que se importariam e muito em ser chamadas de deficientes, mas não se importariam em ser ditas restritas. Até porque hoje não apresento deficiência alguma e não sei o dia de amanhã, mas já apresento restrições. Faço uso de lentes para corrigir a visão, na forma de óculos porque tenho restrição visual.
Não sei como você pensa e mesmo restringe-se a concordar comigo, mas isso não seria problema algum, porque isso não nos difere. Aliás, de qualquer forma o ser humano seria diferenciado enquanto ser humano somos todos da mesma espécie e é comum em cada uma delas haver indivíduos diferenciados e com restrições, mas pela leveza da palavra e pela aceitação social, deficientes nunca!
Não sou estudioso e nem graduando nas áreas afins a esse debate, mas sou integrante social que busca viver na sociedade em que a pessoas sejam de fato sociáveis. Que tornemos extinta a discriminação por cor, raça, credo, renda, sexualidade e pelas nossas restrições, que podem ser formas de sermos separados, de sermos peneirados, de quem pode ou não pode viver junto e perto de mim. Erradicando a violência seja ela com causa ou sem, tornando com a reflexão das palavras, formalizadas em nossas atitudes cotidianas no sentido da paz e amor entre as pessoas de forma igualitária.
Como escrevi queria um post breve, por isso não sou quem o fará o concluir. Deixo o convite para que você da mesma forma que eu, ao olhar no espelho não reclame mais e passe a se amar da forma que é. Desta forma grande parte do mundo se tornará melhor à medida que nós também nos tornamos seres humanos melhores. Melhorar é respeitar!
E lembre-se:
A partir de agora, se não restringir-se a concordar comigo, você tem agora a restrição de ser preconceituoso, por que restrição todos temos, não é mesmo?
_____________________
Se quiser expor sua opinião será bem vinda. Por que de forma nominada ou anônima aprende-se muito com o pensamento do outro. Quero aprender com você!
Abraço!
O autor.
________*________
p.s: dentro de uma “classe” de restrições poderá ser dito, ou necessário, a denominação de branda, moderada ou severa, para em estudos ou em avaliações patológicas a facilitar as adequações dessas habilidades.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Carrossel - As voltas da vida!

Anderson Tomio



O sono chegou tomando conta,
os olhos pesaram e adormeceram
fazendo o silencio da noite a me embalar.
Dormi esquecendo-me de tudo,
acordei preocupado com o mundo.
As horas haviam passado,
o sol já havia surgido e a novidade
do dia tomava conta do tempo.
Proporcionava  aprendizado,
e fez surgir à reflexão, o pensar.
A análise do tempo era nítida,
como se o carrossel houvesse dado muitas voltas
e você sabia onde ia parar, mas não.
As coisas nem sempre são tão óbvias,
a vida nem sempre é tão certa,
e o destino é a gente que faz!
A noite se foi, o dia voltou,
o carrossel parou permitindo o embarque.
Novas fases, novos dias e esperanças,
até que o sono retorne, pese nos olhos,
e não permita ver o dia seguinte até que chegue o amanhã,
 quando o mundo ressurge para eterna novidade da vida.
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Imagem: olhares.aeiou.pt

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Familia - A base para mundança!

Por Anderson Tomio






A família não nasce pronta, constrói-se aos poucos, é o melhor laboratório do amor. Em casa, entre pais e filhos, pode-se aprender a amar , pode-se experimentar com profundidade a grande aventura de amar sem medo. A família pode se o ambiente mais apropriado para uma maravilhosa experiencia de amor.


A família é o nosso fundamento, a base do nosso futuro, mas é conhecido que a família unidade base da sociedade, enfrenta, desde algum tempo, problemas complexos, que tem afetado a sua estrutura, tais problemas ou desajustes familiar ocorre por motivos mais diversos tais como: o desrespeito de pessoas em relação as outras, inclusive no que tange a privacidade, à ausência do dialogo à motivação da vida a dois e a falta de amor, este último tem contribuído, em larga escala para a dissolução da estrutura familiar.

Ao modificar o entendimento da palavra, que considero divina, AMOR, que está acima da compreensão das últimas gerações, dominado-as inteiramente, por sentimentos materialistas. Gerações que se distanciam de DEUS, das coisas do espírito, de onde nascem a amizade, a ternura, o afeto, e que reforça o processo de tornar-se puro, o amor pleno, aquele que é engrandecido por sentimentos e não por instintos, muitas vezes primitivos. Se dentro do seio familiar, aplicarmos o nosso mais valioso dom, o dialogo e o entendimento, será o inicio, o primeiro passo para podermos praticar uma relação de qualidade com quem convivemos, e a partir disso pro amor é só consequência. O diálogo e entendimento no leva pra o Amor com as pessoas.

Não podemos esquecer que a educação repassada pela família, através dos tempos, se baseados nos valores morais e na ética, na religiosidade e fé, não são em tempo algum esforços perdidos. Uma criança, um jovem que vê nos pais, ou mesmo nas pessoas que o criam, bons exemplos, com certeza não terá por que não seguir, se os laços que sustentam esse vínculo forem estreitos, forem fortes.

As vivências em família nos fazem seres completos, que não há faculdade na vida que ensine o que podemos aprender em casa. Se recebemos de casa valores morais e éticos, se assimilados na relação diálogo confiança, não tem o porque nos perdemos no caminho.

A humanidade, em sua totalidade deveria pensar nisso e aplicá-la.

As mazelas do mundo, a violência, as drogas, os assassinatos, estupro, crimes contra o incapaz, jamais seriam notícias. Alias o fato de serem notícia o tempo todo revela que algo precisa ser feito, urgente, além disso acabamos por se acostumar com a violência que com o tempo poderemos achar que é normal. Mas não é! Atualmente, julho de 2010, os noticiários me deixar estarrecido. Fico pensando o quão animal o homem pode ser, exterminando sua própria raça. Nessas horas me sinto envergonhado de ser Homem, por ver na TV e Internet o quanto há de “psudohomens” pela quantidade de violência e barbaridades que cometem. Sem falar na violência gratuita, por motivos banais, que só visam elevar o ego de quem agride.

Mas tenho fé, na família(*), seja ela patriarcal, ou mesmo aquela que é formada de pessoas  sem consanguinidade mas que mantem um laço afetivo morando sob o mesmo teto. A família mudou, mas não era necessário mudar os valores.

Na verdade, desabafei, porque fico tão indignado com o que vejo no noticiário, e mesmo aqui via internet, em saber nós estamos aniquilando nossa própria raça. Falando em aniquilar, lembrei das questões ambientais, se tratássemos a violência como prioridade como o meio ambiente tem sido ultimamente, com certeza já teríamos mudado o mundo para um mundo de paz.

Mas com certeza, seria assunto para um novo debate.

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**A família é um núcleo de convivência, unido por laços afetivos, que costuma compartilhar o mesmo teto, com ou não grau de parentesco** -conceito atual de família:  .http://jusvi.com/artigos/39460

A evolução do conceito de família:
http://www.investidura.com.br/revista/index.php?option=com_content&view=article&id=237:o-conceito-de-familia-e-sua-evolucao-historica&catid=83:artigos

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Com aroma de café...

Anderson Tomio


Era pra ser
somente mais um olhar casual
daqueles que buscam integra-se com o mundo ao redor,
percebendo o que acontece e como tudo se movimenta,
mas acabou paralizado,
foi encontrado em meio à paisagem estática do hall
e o cheiro do café tomou conta do ambiente
tornando-o nostálgico, mágico e acolhedor.
O olhar que mudou o tempo,
fez as luzes de neon “café”
que piscava no vidro que nos separava,
uma barreira logo ali, mas que separava nossos mundos.
Baixei a cabeça, passei a mão em meus cabelos,
numa atitude de revolta,
como podia não estar no mesmo lugar que você?
E pensando que assim, quando erguesse os olhos
somente a lembrança de sua imagem haveria de ficar.
Engano! Surpresa!
Meus olhos te encontraram diante de mim,
E comecei a rir... não entendia mais nada,
E o tempo permaneceu mágico
Enquanto a inércia do vento não tocava minha pele
Mas ainda assim sentia o arrepio da tua presença.
A  velocidade do mundo voou,
o instante passou e com ele você se foi.
Algo permanece além do riso,
o cheiro do café relembra tudo.

domingo, 6 de novembro de 2011

Insonia

Anderson Tomio


Tudo foi além do que esperava
os sinais que me deste não foram vistos,
 e ousei sair na escuridão.
Caminhava sem rumo sobre a calçada de pedras,
meus pés descalços sentiam cada relevo,
que me lembrei dos vincos do tempo marcados em minha pele.
Olhei ao alto, a lua ilumina agora meu caminho
Saíra da sombra que o velho casarão fazia
Deixando cinza o chão e as paredes,
tornando opaco o brilho de qualquer olhar.
Parei, inclinei meu corpo para frente
Tocando meus tornozelos,
os pés vestiam poeira da pedra
e o pó da correria urbana
Sentei- me na calçada e silenciei.
O único barulho agora era meu coração acelerado,
Ao ritmo da respiração ofegante,
Repus meu suor, sentindo o gosto da lágrima
Que escorreu face abaixo e sutilmente tocou meus lábios.
O mundo parou!
O silencio era total,
 e um  vulto com rapidez passou em minha frente.
Era a sábia coruja que do alto da varanda
do velho casarão me observava com seus olhos
reluzentes ao brilho do luar.
Observou-me por um tempo,
E eu perdi a noção das horas,
Fiquei a contemplá-la.
Ela entendeu talvez o que eu fizera
E num gruído tímido me cumprimentou.
Pareci um tolo, mas abanei com uma das mãos
Dando sinal que tinha ouvido o seu “boa noite”
O meu pensamento foi buscar você!
Abaixei a cabeça sobre meus joelhos
E ali fiquei encolhido e quieto.
Ouvi então um grunhido mais forte que ecoou pela madrugada
E num vôo a bela coruja desapareceu.
Decidi que era hora de levantar-me e buscar meu leito,
já que o ar da noite havia-me relaxado.
Iniciei o caminho de volta, alguns cachorros
repeliam e entregavam a minha presença,
mas segui adiante.
Já em casa, suspirei frente ao portão,
por estar leve e pronto pra repousar,
mas fui surpreendido por um alto gruído, desta vez
mais inesperado que o outro.
Era a sábia coruja que guardara a madrugada
agradecendo por deixar a rua
que agora era somente dela,
em meu adormecer.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"A memória do silêncio"

Quantas vezes nao percebemos o simples e o valor que ele tem em nossa vida. Assista o video e
entenda o porque.


A Memória do Silêncio from Histórias que Ficam on Vimeo.


Visite o blog http://desculpenaoouvi.laklobato.com/
Depoimentos e casos de pessoas surdas e com implante coclear.

“se para ouvir é preciso de audição, para escutar só é preciso do coração e eu sei que o meu não tem tamanho”. Lakshmi - do blog desculpa eu não ouvi

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Criar...

Anderson Tomio




Veio,
Apareceu do nada e me chamou.
Fez um convite; e tem que ser agora.
Esta é a hora, vamos criar!
Veio, me disse coisas que nem sei falar,
horas mais fáceis horas difíceis,
estar atento e te compreender.
É verso, é prosa, é riso ou choro,
é rastro de pólvora,
põe-se a primeira palavra e o estopim inicia,
várias delas, velocidade.
Nem pensa, só ouve,
escreve, dita, não repita,
deixa fluir.
O que me dizes agora?
Preste atenção, nada de perguntas.
Vá em frente, faça o que peço,
crie o que mando e solte-se!
Parece ser dois, sou eu mesmo falando pra mim,
ou de "mim" pra falando pra "eu"...
E vem, mais uma sentença.
Poética, rítmica ou não.
Anoto, nem ouso editar,
já sou logo advertido,
nesse louco processo,
nessa sana loucura do meu jeito
de criar, de escrever, de ser, estar, assim eu, puro
deixo-me, dou, entrego-me
e em palavras se doar..

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quando adormeci...

Anderson Tomio




E tenho visto,
Havia falado,
Mas nada mereceu importância,
Era fato,
Era dia,
Agora à noite, sem estrelas
Perdidas, soltas ao vento
Navegam no mar.
E tenho visto
Havia falado
Mas o que fazer, 
Passou despercebido
Era fato,
E no quarto o silêncio
Ditava-me algo a escrever,
Perdi, se foi, calou-se.
E tenho visto,
Havia falado,
Minha voz silenciou,
Não ouvi nada alem do vento,
E escrevê-lo...
Em um  soprar de letras, de tempo
Mas é fato
Calei-me e adormeci
Sob a colcha de retalhos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Isso é da minha conta?

Por Anderson Tomio

Comentamos e até nos revoltamos com fatos cotidianos. E já pensou no que acontece com você, ou poderiam acontecer? Os fatos próximos e os de longe, ocorreram em algum lugar e tempo. É valido preocupar-se com mundo e com país, mas e o que acontece do seu lado agora? “_Mas, você viu o que fizeram?” Pronto, foi o motivo para nos transportarmos do nosso mundo, para o mundo dos outros. Deve estar pensando, então é proibido comentar sobre que acontece longe? Não de forma alguma! O que ocorre é a dimensão que as coisas tomam sem que percebemos. É como mexer o caldo com colher de pau e você pedir pra eu mexer com colher de plástico. Vou faço e pronto!Sem perguntar, passo a mexer e fazer porque me dissesses que é melhor. Preguiça mental! Há casos e casos e o “oba-oba” das conversas contagia o mundo ao seu redor. Muito Bom! Você pode analisar que estou a descrever o que de fato é natural. Por favor, faça isso! Posso fazer uma pergunta? Quando foi a última vez que discutiu com o vizinho o problema dos alagamentos, dos assaltos, da violência que estamos expostos há todo momento? É ponto que quero chegar!Precisamos nos engajar com os assuntos de nossa comunidade, vivenciar a nossa realidade e buscar ações, soluções para um problema que poder parecer ser só do outro, mas é coletivo. Aliás, relevante ser COLETIVO. Cada vez mais vivemos em sociedade individual, adquirimos o hábito de ver o mundo pela TV, pela internet e discutir os assuntos na padaria, no ônibus e mesmo no elevador do prédio. As ações se resumem a comentar. O fato é que a vida em sociedade precisa de ação, interação! Se eu agir, fizer a minha parte, mesmo pequena, será melhor que não fazer nada! E se acreditar que sou um ser humano que age porque dei minha opinião sobre algum fato que veio a ser notícia, como o assalto a aquela lotérica, um estupro e ao congestionamento no trânsito, estou enganado! Não vivemos sozinhos e a minha ação fará a diferença na minha vida e na vida e na sua, porque somos coletivos, por mais que queiramos ser individuais. Continuemos a comentar no botequim, mas não podemos cobrar o que só comentamos e temos como regra não ser de nossa responsabilidade. Pois bem, veremos de quem é a responsabilidade então? E quando descobrirmos de quem é, devemos estar fazendo a nossa parte, porque quem cobra e reivindica tem que estar ciente do que faz e ter iniciado o processo de mudança a partir de si. Porque se “não é da sua conta” alguém vai pagar por isso. Mudar não é pensar, é agir!

sábado, 17 de setembro de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

TEM DIAS – Musica & Poesia

Por Anderson Tomio

*“Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...”

Tem dias...

E as horas que se sucedem, exitam em passar.

O pensamento toma conta, faz tremer a realidade

Um corpo que vibra, uma mente que pensa,

Mãos que perdem o equilibrio

E nada mais do que estar nervoso.

As preocupaçõees, várias delas,

Nem tomam aqui dimensão,

O problema é um, somente ele desestabiliza,

Faz tremer e aguça a vontade de sair correndo

E ir logo resolver.

Medir forças, enfrentar, mas desistir,nunca!

*”A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...”

E semeia-se a paz, prega-se o bem,

Esperamos receber o mesmo

Afinal colhemos o que plantamos,

Mas levaram minhas rosas pra outro quintal,

Deixaram comigo os espinhos,

Mas as encontrarei pelo perfume,

Buscarei novamente há quais ventos as levaram,

E a certeza toma conta

Porque sei, tenho fé

Que as rosas voltarão.

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Escrita em 21/03/2011

** trechos em destaque são partes da letra

Da musica Roda Viva de Chico Buarque

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O PODER DAS PALAVRAS!

Anderson Tomio





Fale tudo que querias falar
Penses tudo que queiras pensar,
Jogue em meus ouvidos os teus brados,
E me deixe apenas silenciar.
Refletindo cada frase tua, o que queres me dizer,
me deixe!
Se eu curvar meus ombros, o peso da realidade caiu e definhei.
Se te inclinares , pode não ser a razão, mas a soberba  te puxando para trás.
E pense!
O peso do tempo, o eco de cada uma delas, você as proferiu e voaram...
Ecoaram no universo, atendendo todas as leis, até mesmo as de retorno...
O meu silêncio vai retornar, suas palavras também,
E o espaço as devolve tal qual como emitimos
Carregadas de energia, que dissipamos enquanto
Esperávamos sem saber o retorno de cada uma delas.
Por que o fato é que, um dia as teremos de volta!
________________________


Imagem original: rexonas.com.br 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Declaração de Amor de Pai para Filho


Por Anderson Tomio



Arthur, meu Filho,
o que dizer pra expressar o meu amor.
Em tua tenra idade, nada seria capaz
de te dizer, que fosse de teu fácil entender.
Prefiro não te explicar,
prefiro te mostar o que pode ser o amor de um pai,
e simplesmente te amar.
Tenho que te confessar uma coisa, alias não só uma, mas tantas delas.
Acredito que a mais importante é dizer que você é um divisor de águas em minha vida.
Sei como sou, me reconheço hoje, me analisando antes e depois do teu nascimento.
EU nasci, renasci junto do teu nascimento. Descobri naquele momento mágico tanta coisa. O amor é uma delas. A mais importante das descobertas.
Mas não foi só ele. Descobri também que podemos nos comunicar com o olhar, com nosso cheiro,
com nosso toque e a troca de nossa energia. No corte de teu cordão umbilical, nada foi rompido, mas com ele nos atamos, nos laçamos, entrelaçamos de amor. Me descubro PAI, te percebo meu filho, momento de pura emoção.
Teus primeiros minutos, ainda que estranhando o novo mundo, mas eu já estava ali ao teu lado.
Teu respirar, teu choro, teu banho, assepsia ainda no hospital, teu banho de luz, o te aquecer, como lembro, teu acalento ao sentir meu toque, a ouvir minha voz, voz essa que já conhecias tanto, mesmo antes de nos tocarmos dessa forma.
Senti o mundo mágico novamente, passei a ter mais fé, mais esperança, enfim me renovasse, como já disse, nasci junto contigo.
Quão pequeno em meus braços, nada mais era necessário, nos entendíamos no toque, na nossa troca de calor. Na verdade sabia da palavra vida, o que aprendi na escola, o que li nos livros, os significados no dicionário, mas nada me ensinou mais o que era vida, como você.
Tuas primeiras reações, teu sorriso, teu choro, a tua força e ao mesmo tempo a tua fragilidade.
Meu pequeno, meu filho, significado real, sensível ao toque, de uma coisa que aprendi que era sempre abstrata, mas com você eu vi real, concreto, então pude tocar, sentir na superfície de tua pele e no teu sorriso o significado da palavra AMOR.
Quão extraodinário possa ser, só sabe do que estou falando quem sente amor.
Guardo vivo na minha lembrança, tudo que contigo vivencei, que contigo aprendi, e claro, as coisas que na minha pequenez de pai, pude te ensinar.
Teus primeiros sons balbuciados, teu riso, o teu olhar. Parece que ainda sinto você adormecendo em meu peito, dormindo teu sono embalado pelo som do meu coração. Tanto que você sempre me faz recordar esse momento mágico, até hoje ainda falas “to ouvindo teu tum tum papai”, ou jogas um beijo no ar e me pede pra guardar no coração batendo no peito.
E eu me pergunto, você precisa me dizer mais? Isso é fantástico. O amor que sinto por você, superaria qualquer desafio, o amor seria capaz de nos fazer superar a ausência de qualquer sentido, porque mesmo que eu fosse surdo eu te ouviria com o coração.
A alegria dos primeiros passos, não só a minha, mas atua alegria de transpor limites, de aprender,
de estar crescendo.
Uma coisa que talvez você não lembre, ou até mesmo você não saiba, mas converso com você, sempre que posso, mesmo que achem que você não entenda, mas acredito no teu entendimento,
e gosto de falar contigo. Até enquanto você dorme, eu muitas vezes falei com você durante teu sono.
Coisas de pai, mas me sinto tão feliz, quando depois de termos um dia bem legal, divertido, te observo dormindo, e mesmo não teu sono você me sorri, vejo teu semblante feliz. Já sabia, descobri isso, como é bom ser pai.
O tempo foi passando, amadurecemos juntos! Eu e você, aprendemos um com o outro. Alias você me ensina tanta coisa meu filho. Tenho mudado, você me da forças pra ser um ser humano melhor,
pra a cada dia me tornar um pai melhor, ou um papai como você mesmo me chama.
Não tenho aqui a pretensão de resumir a minha vida, ou mesmo a tua,ou até mesmo as nossas nesse tempo, nesses pouco mais de 4 anos que temos um ao outro, mas só te dizer o quanto és importante pra mim. Você bem sabe das minhas limitações, ou ao menos entendem algumas delas, não tendo posses, passando dificuldades até mesmo pra nos mantermos, mas temos um ao outro, e isso me dá forças pra buscar o meu melhor em prol de nós.
O tempo que fico longe parece uma eternidade, mas quando distante de você falo contigo em meu pensamento e nele te digo, o quanto te amo.
Falando em Eu te amo, lembro-me que nós conceituamos juntos o que isso quer dizer. AMAR, é quando uma pessoa gosta muito, mas muito mesmo, que não tem o que poderia ser maior,ai dizemos que amamos. Me deixa feliz você saber disso, porque você mesmo já me disse.
É assim, não sei o que pode ser maior, nem mesmo sei se existe, o que sinto por você é incalculável
é simplesmente amor.
Isso você não sabe,mas peço a Deus, sempre para que me permita estar presente em tua vida, de forma física o maior tempo que me for permitido. Quero poder estar ao teu lado, nas tuas vitórias e mesmo nas tuas derrotas para poder te amparar e não te deixar desistir. Te mostar o quanto você é vitorioso em permiti-se tentar. Quero poder estar por muitos anos ao teu lado, perceber teu amadurecer.
Esse é o fantasma que às vezes me atormenta. Mas prefiro não pensar nele agora, e espero ter a razão em estar fazendo.
Mas de uma coisa acabei de lembrar, do ultimo bate papo que tivemos, onde falávamos de nós, e acabei pensando alto, querendo saber se você me achava um bom pai. Achei tão linda as tuas palavras, dizendo que sim eu sou um ótimo pai, “você é um papai ótimo, o melhor papai do mundo porque você me cuida!” Mas mesmo assim me perdoe, caso você em silencio achar que eu não fui o melhor. Mas também você não deixou por menos, perguntando me se você era um bom filho. Te falei que sim, um ótimo filho, porque além de pai e filho somos amigos, podemos conversar, isso faz com que você seja um filho muito amado e especial.
Outro dia rimos juntos, olhando duas fotos, uma minha que você tirou e uma sua que eu tirei. Eu e você analisamos juntos as perspectivas, como um olhava o outro. Achei graça você me dizendo que eu era um gigante. E você meu pequeno grande filho.
Na verdade, ou melhor em resumo, o que o papai quis te dizer através deste relato, é o quanto eu te amo, o quanto você é importante pra mim.
Que hoje sou teu, estou aqui, mas um dia, serei do universo, mas que minha luz ainda possa iluminar os teus caminhos.

Meu filho, Arthur Miguel papai te ama hoje e sempre. Obrigado por ser meu filho, por ter me escolhido pra ser teu pai. Eu te amo!

Dia 20/07/2010
hoje faço 33 anos.
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Imagem:
carlike.wordpress.com/2009/09

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Aprendizado do Tempo

Anderson Tomio


Tenho pensado no futuro,
eu juro que tenho pensado,
mas a cada instante que penso ,
o mesmo já se torna passado.
O novo que ainda engatinha,
logo corre querendo vencer,
o chegar quase no fim da linha
da vitória senta-se a padecer.
E o que era futuro passou,
pisquei meus olhos, não vi,
querendo refletir sobre ele,
nesse instante envelheci.
Das horas só vejo os ponteiros,
num dia que me resta lembrar,
do que não podia esquecer,
foi passado não pude evitar.
E espero o novo minuto,
a vida que passa correndo,
agora é hora e instante,
se não foi é um passado pequeno.
Finda o tempo amargo,
Finda o tempo doce,
Amadurece a face e que enruga,
Mas não madruga a sabedoria da vida
Que dorme, que cala, que morre.
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Imagem:http://dc314.4shared.com/doc/X08IrgKC/preview.html
Escrita: 08/08/2011  - 12:25 h

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Força Vital

Anderson Tomio

PRIMAVERA NA JANELA (1)

Não vejo à hora de chegar o amanhecer,

sentir o calor do sol aquecendo-me o rosto

em um esforço para não abrir os olhos e contemplar do dia.

Não vejo, porque espero o momento certo

de abrir os olhos e perceber no clarão a minha volta

a energia que me dá a vida.

Inclino-me em direção ao perfume da roseira,

que ousar bater no vidro da janela

riscando uma sinfonia que embala o coração

e inebria com seu odor de rainha do jardim.

Abro agora os braços, me posiciono na direção do vento

e com olhos fechados imagino-me a voar.

Os pés se distanciam do chão à medida que meu sonho

alcança requintes de realidade e me distancio do mundo que era fantasia.

Laçadas de vento envolvem meus braços e arrepiam- me os pelos,

com o gelo que carrega consigo na brisa fria de uma manhã de inverno.

O sol teima em aquecer o mundo descarregando sobre tudo sua energia,

e eu, de olhos fechados, prefiro ficar na viagem do meu sonho

esquecendo da fantasia que diante de mim tornaram-se instantes reais.

E voei!

Contemplei do alto o poder do universo, percebi a força que mantém o todo,

sendo eu parte da energia que o alimenta e que consome o seu vigor.

Troca perfeita!

Simbiose de matéria e energia regendo as horas que findam desse amanhecer,

mas ainda assim constantes do milagre chamado vida!

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escrito em 02/08/2011 – 21:30 h

imagem: http://alzheimernafamilia.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dia do Escritor

Anderson Tomio

 

dia-do-escritor2 

 

Antes de marcar nas veias da celulose

O que viera a ser papel, papiro, base de meu pensar,

eu já escrevia pelo tempo o que viera a dialogar.

Antes do pingo, o respingo da letra que surge,

da palavra que nasce com medo, silencia pra dentro do peito

e não ousa ecoar, antes dela eu já estava,

perdido no tempo, vago no espaço

criando no dia e na noite os versos a declamar.

Palavras que vem, pensamentos que se vão, partem,

repartem-se e criam e recriam num breve aprimorar.

Palavras que buscam o toque do ouvido alheio,

que saem do coração, do seio, num afago de um ninar.

Ontem que era primavera em flor,

num botão de mero sorrir, abre-se em sorriso flor,

falando aos ventos e cantos, cantando ecoando no espaço

as vestes da língua a dizer.

Antes que o verso- se tornasse rima,

que o verso enamorasse a prosa,

o amor já compunha o trecho,

palavras polidas, o seixo do sentimento

que desenrola, rola por entre os dentes

na busca de um repente, na rima do meu viver.

E o dia se finda a noite,

veste-se de muitas estrelas, no breve repousar,

que silencia e acalma o céu,

que vibra com o vento e eu respiro,

da boca que céu capela,

num sino a tocar.

Palavras de pouco brio,

bem puras feito o orvalho,

que escorre por entre veste que é do meu ser.

Vive, planeja e cumpre,

todo o curso, em breve discurso,

de palavras que é viver.

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imagem:http://listasliterarias.blogspot.com/2011/07/10-curiosidades-sobre-carreira-de.html

sábado, 23 de julho de 2011

Tempo! Senhor de todos!

Anderson Tomio

 

Observar, procurar
e encontrar alento
fermento de preocupações
crise de evasão,
circular,
evadir-se da vida,
vida própria, deixa levar-se
flutuar no ar,
sentir o braço do vento,
correr em círculos,
perder-se, no tempo, no vento.
Escravo do tempo, ser dos relógios,
vivência de horas.
Horas aflitas,horas tranquilas,
nas horas tomadas por ele, o tempo,
ser pensante, inoperante perto dele
o tempo, controlador, controlado,
puslso desesperado,
fermento das preocupações
viver, ver, sentir, fechar-se
correr em círculos,
ser dele, pertencer a ele,
nada mais, o tempo.

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Escrita em 23/07/2004
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imagem: hsm.updateordie.com/.../03/relogio_da_vida.jpg

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CERTOS AMIGOS

EXPRESSO RURAL – CERTOS AMIGOS

 

Certos Amigos

Composição: Daniel Lucena

Quando esse trem de alegria vara a vida da gente
Sempre que a estação mais perto é o nosso coração
Difícil se saber na hora o que a gente sente
Se certos amigos nos mostram que o mundo ainda é bom
Por saber,
Que tendo você do meu lado me sinto mais forte
Quero beijar o teu rosto e pegar tua mão
Se cada estrela no céu é um amigo na terra
A força do acaso do encontro é uma constelação

Lumiar,
De que planeta você é?
Eu faço o que você quiser em troca do teu amor
Posso te dar o que eu sou, amigo é um cobertor
Bordado de estrelas - de estrelas.
Constelação, nave louca
A vida é pouca e o que vale é se querer

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Esta é uma forma de dizer aos meus AMIGOS o quanto são

importantes na minha jornada. E bem diz a letra da música

“de que planeta você é” , pois mesmo em silêncio entendem,  sabem

exatamente o que eu gostaria de dizer, e num simples olhar,

percebem as alegrias ou tristezas que estou sentindo.

Amigo me sinto mais forte tendo você ao meu lado!

OBRIGADO AO MEUS AMIGOS, POR SEREM MEUS AMIGOS!

 

Com carinho, Anderson Tomio

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Constatação!

Anderson Tomio

 

Não preciso classificar o ser e o estar,

mas o passado poderia ser refeito,

o futuro modificado.

Tantas coisas passam na mente.

Um filme, uma vida, momentos!

A chama que move a releitura

baseada em tempos de  melancolia e só.

Só é uma palavra que descreve

os pensamentos num vagar de agora,

não sabendo onde quer ir,

não sabendo de onde vem , simplesmente voa.

E a realidade consolida-se!

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Olhos! Abra-os!


Anderson Tomio




Abra seus olhos
para ver o além.
Abra seus olhos
para ver quem o ama.
Abra seus olhos
para me ver.
Pois não sei ficar nem um instante
sem pensar em você.

Abra !

Abra seus olhos
para a pureza da vida.
Abra seus olhos
para os sentimentos.
Pois o que sinto por ti é forte
que por mim não haveria fim.

Abra!
Abra seus olhos
e me veja como alguém.
Abra seus olhos
e veja, que te amo.
E que os meus nunca se fecharão
para continuar vendo, amando.

Abra!
Abra seus olhos
e junto o teu coração.
Abras seus sentimentos, seu intimo,
pois sentimento que se prese
jamais deveficar fechado
como nossos olhos ao dormir.

Abra!
Abra seus olhos,
Abra seus braços,
Abra seu coração,
para que neles eu entre
e possa dizer que te amo.
Depois feche-os
para que deles eu não consiga sair.
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(escrita em 05.02.1996)


Imagem original: sofiaprocurasofia.zip.net/images/eyesss.jpg

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Receita de Vida – Mario Quintana

 

 

Biografia Mário Quintana

(http://pensador.uol.com.br/autor/mario_quintana/biografia/)- Ipsis literis

Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista. É considerado um dos maiores poetas brasileiros do século 20.
Mario de Miranda Quintana nasceu prematuramente na noite de 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete, situada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Seus pais, o farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e Virgínia de Miranda Quintana, ensinaram ao poeta aquilo que seria uma de suas maiores formas de expressão - a escrita. Coincidentemente, isso ocorreu pelas páginas do jornal Correio do Povo, onde, no futuro, trabalharia por muitos anos de sua vida.
O poeta também inicia na infância o aprendizado da língua francesa, idioma muito usado em sua casa. Em 1915 ainda estuda em Alegrete e conclui o curso primário, na escola do português Antônio Cabral Beirão. Aos 13 anos, em 1919, vai estudar em regime de internato no Colégio Militar de Porto Alegre. É quando começa a traçar suas primeiras linhas e publica seus primeiros trabalhos na revista Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos Alunos do Colégio Militar.
Cinco anos depois sai da escola e vai trabalhar como caixeiro (atendente) na Livraria do Globo, contrariando seu pai, que queria o filho doutor. Mas Mario permanece por lá nos três meses seguintes. Aos 17 anos publica um soneto em jornal de Alegrete, com o pseudônimo JB. O poema era tão bom que seu Celso queria contar que era pai do poeta. Mas quem era JB? Mario, então, não perde a chance de lembrar ao pai que ele não gostava de poesia e se diverte com isso.
Em 1925 retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de propriedade de seu pai. Nos dois anos seguintes a tristeza marca a vida do jovem Mario: a perda dos pais. Primeiro sua mãe, em 1926, e no ano seguinte, seu pai. Mas a alegria também não estava ausente e se mostra na premiação do concurso de contos do jornal Diário de Notícias de Porto Alegre com A Sétima Passagem e na publicação de um de seus poemas na revista carioca Para Todos, de Alvaro Moreyra.
Corre o ano de 1929 e Mario já está com 23 anos quando vai para a redação do jornal O Estado do Rio Grande traduzir telegramas e redigir uma seção chamada O Jornal dos Jornais. O veículo era comandado por Raul Pilla, mais tarde considerado por Quintana como seu melhor patrão.
A Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus versos em 1930, ano em que eclode o movimento liderado por Getúlio Vargas e O Estado do Rio Grande é fechado. Quintana parte para o Rio de Janeiro e torna-se voluntário do 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois retorna à capital gaúcha e reinicia seu trabalho na redação de O Estado do Rio Grande.
Em 1934 a Editora Globo lança a primeira tradução de Mario. Trata-se de uma obra de Giovanni Papini, intitulada Palavras e Sangue. A partir daí, segue-se uma série de obras francesas traduzidas para a Editora Globo. O poeta é responsável pelas primeiras traduções no Brasil de obras de autores do quilate de Voltaire, Virginia Woolf, Charles Morgan, Marcel Proust, entre outros.
Dois anos depois ele decide deixar a Editora Globo e transferir-se para a Livraria do Globo, onde vai trabalhar com Erico Verissimo, que lembra de Quintana justamente pela fluência na língua francesa. É por esta época que seus textos publicados na revista Ibirapuitan chegam ao conhecimento de Monteiro Lobato, que pede ao poeta gaúcho uma nova obra. Quintana escreve, então, Espelho Mágico, que só é publicado em 1951, com prefácio de Lobato.
Na década de 40, Quintana é alvo de elogios dos maiores intelectuais da época e recebe uma indicação para a Academia Brasileira de Letras, que nunca se concretizou. Sobre isso ele compõe, com seu afamado bom humor, o conhecido Poeminha do Contra.
Como colaborador permanente do Correio do Povo, Mario Quintana publica semanalmente Do Caderno H, que, conforme ele mesmo, se chamava assim, porque era feito na última hora, na hora “H”. A publicação dura, com breves interrupções, até 1984. É desta época também o lançamento de A Rua dos Cataventos, que passa a ser utilizado como livro escolar.
Em agosto de 1966 o poeta é homenageado na Academia Brasileira de Letras pelos ilustres Manuel Bandeira e Augusto Meyer. Neste mesmo ano sua obra Antologia Poética recebe o Prêmio Fernando Chinaglia de melhor livro do ano. No ano seguinte, vem o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Esta homenagem, concedida em 1967, e uma placa de bronze eternizada na praça principal de sua terra natal, Alegrete, no ano seguinte, sempre eram citadas por Mario como motivo de orgulho. Nove anos depois, recebe a maior condecoração que o Governo do Rio Grande do Sul concede a pessoas que se destacam: a medalha Negrinho do Pastoreio.
A década de 80 traz diversas honrarias ao poeta. Primeiro veio o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Mais tarde, em 1981, a reverência veio pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços de Passo Fundo, durante a Jornada de Literatura Sul-rio-grandense, de Passo Fundo.
Em 1982, outra importante homenagem distingue o poeta. É o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Oito anos depois, outras duas universidades, a Unicamp, de Campinas (SP), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro concedem o mesmo tipo de honraria a Mario Quintana. Mas talvez a mais importante tenha vindo em 1983, quando o Hotel Majestic, onde o poeta morou de 1968 a 1980, passa a chamar-se Casa de Cultura Mario Quintana. A proposta do então deputado Ruy Carlos Ostermann obteve a aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Ao comemorar os 80 anos de Mario Quintana, em 1986, a Editora Globo lança a coletânea 80 Anos de Poesia. Três anos depois, ele é eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, pela Academia Nilopolitana de Letras, Centro de Memórias e Dados de Nilópolis e pelo jornal carioca A Voz. Em 1992, A Rua dos Cataventos tem uma edição comemorativa aos 50 anos de sua primeira publicação, patrocinada pela Ufrgs. E, mesmo com toda a proverbial timidez, as homenagens ao poeta não cessam até e depois de sua morte, aos 88 anos, em 5 de maio de 1994.

Bibliografia:


- A Rua dos Cata-ventos (1940)
- Canções (1946)
- Sapato Florido (1948)
- O Batalhão de Letras (1948)
- O Aprendiz de Feiticeiro (1950)
- Espelho Mágico (1951)
- Inéditos e Esparsos (1953)
- Poesias (1962)
- Antologia Poética (1966)
- Pé de Pilão (1968) - literatura infanto-juvenil
- Caderno H (1973)
- Apontamentos de História Sobrenatural (1976)
- Quintanares (1976) - edição especial para a MPM Propaganda.
- A Vaca e o Hipogrifo (1977)
- Prosa e Verso (1978)
- Na Volta da Esquina (1979)
- Esconderijos do Tempo (1980)
- Nova Antologia Poética (1981)
- Mario Quintana (1982)
- Lili Inventa o Mundo (1983)
- Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)
- Nariz de Vidro (1984)
- O Sapato Amarelo (1984) - literatura infanto-juvenil
- Primavera cruza o rio (1985)
- Oitenta anos de poesia (1986)
- Baú de espantos ((1986)
- Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)
- Preparativos de Viagem (1987)
- Porta Giratória (1988)
- A Cor do Invisível (1989)
- Antologia poética de Mario Quintana (1989)
- Velório sem Defunto (1990)
- A Rua dos Cata-ventos (1992) - reedição para os 50 anos da 1a. publicação.
- Sapato Furado (1994)
- Mario Quintana - Poesia completa (2005)
- Quintana de bolso (2006)
No exterior:
- Em espanhol:
- Objetos Perdidos y Otros Poemas (1979) - Buenos Aires - Argentina.
- Mario Quintana. Poemas (1984) - Lima, Peru.

 

FONTE:http://pensador.uol.com.br/autor/mario_quintana/biografia/