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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ventanear


Anderson Tomio

Não posso me desprender de quem sou, mas minha alma passeia por outros eus em busca de mim,
Não posso me desprender desse lugar agora, mas minha alma viaja por tantos mundos,
Não posso! Mas quero!
Alçar voos e buscar no infinito do horizonte a parte que falta de mim, o meu fio de cabelo que o vento levou, os fragmentos de pele que os anos fizeram trocar e encontrar as partes de um eu que habita dentro de mim, mas que só eu vejo, que só eu sinto e sei como sou.
Não posso! Mas quero! Voar!
Ir além do que os outros podem me ver, ser o eu além de todos os julgamentos, e respirar!
Sentir o frescor da brisa que adentra em minhas narinas e inflam minha alma de mim.
Se quero? Se posso? Se voo?
As interrogações de tudo que me cerca e as costas do outro que me analisa, mas se me mexo os olhos se voltam em minha direção.
Pensar! Pensar? Pensar: analisar o reflexo no espelho, olhar além de tudo que é corpo e buscar além dos reflexos, das imagens e se tornar real.
Ser! Ser? Ser: abrir-se e desnudar-se de todos os julgamentos, de todas análises e levitar.
Vento! Vento? Vento: o invisível que faz a vida ser real, a leveza de ser e existir tal qual como se é.
Não posso me desprender?
Se quero?
Pensar?
Ser?
Vento?
O que me prende tantas vezes me liberta, mas nada me faz mas eu do que o vento. Mestre as velocidades, presente em nosso mundo, mas invisível aos olhos, mas sentido quando tocado.

Não posso me desprender? Posso! Quando eu me desprende,  que me torne vento e passe a "ventanear" no infinito.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Somente o vento...

Anderson Tomio



Somente o vento...

Ele mesmo fazia sua sinfônia aos pés de meus ouvidos,
Inebriando-me  com seu perfume,
Extasiando-me com seu som,
Somente o vento...

Ele mesmo fazia acordes e desenhos no céu,
Convidava as nuvens a dançar com ele
Num balé clássico lindo e compassado,
Num Tum Tum Tum, hummmmmmmmmmm
Feito bolero de Ravel.
Somente o vento...

Ele mesmo audacioso me coçava a nuca,
Resfriava com a  brisa minhas costas,
Mas aquecia-me num alento sinfônico
De poucos acordes, mas de intenso som.
Somente o vento...

Ele mesmo trazia presentes para perto de mim,
Entregou-me num suspiro o dente de leão*,
Que a minha frente bailava, flutuava dançando
Como bailarina solista do espetáculo quebra nozes.
Somente o vento...

Ele mesmo me fizera contemplar sua força,
Que deixava rastro de elevada poeira,
Mas que embalava o ipê
Dançando com suas flores de ouro.
Somente o vento...

Ele mesmo adornou meu instante,
Contou ao pé do meu ouvido que adorava dançar,
Mas em seu espetáculo cantava,
Momentos, feitos maravilhoso tenor,
Mas gostava mesmo de ir do soprano ao contralto
Como quem pula de um pé no outro
Jogando amarelinhas.
Somente o vento...

Ele mesmo, o vento!

___________
* Dente-de-leão é o nome vulgar de várias espécies pertencentes ao gênero botânico Taraxacum, das quais a mais disseminada é aTaraxacum officinale. É uma planta medicinal herbácea conhecida no Brasil também pelos nomes populares: taráxaco, amor-de-homem, vovô careca, amargosa, alface-de-cão ou salada-de-toupeira. No Nordeste é conhecida por "esperança": abre as janelas e deixa a esperança entrar na tua casa trazida pelo vento da tarde. Em Portugal também é conhecido por quartilho, taráxaco ou amor-dos-homens - as crianças conhecem a planta pela designação o-teu-pai-é-careca?, em resultado de um jogo infantil que supostamente mostraria se o pai de outra criança, a quem se faz a pergunta, seria careca ou não, depois de soprar os frutos desta planta que, ao serem levados pelo vento, deixam uma base semelhante a uma cabeça careca. Ou ainda outro nome, associado também a uma brincadeira infantil, "avô-careca" FONTE: Wikipedeia