Muitas das vezes durante o dia, não é fácil tentar se
desligar de pensamento ou de sentimentos que vem de forma não avisada e também sem
manual de como preceder.
A vida pulsa, o tempo pede passagem, mas as memórias não
ligam pra isso, simplesmente nos encontram e surgem ocupando seu espaço na
poltrona vip de nossos pensamentos.
São sentimentos que fazem o corpo dar sinais de que seu psicológico
está oscilando entre o que guarda e o que vive no momento.
Um baú aberto que não tem gaveta, mas recortes e mais
recortes de um tempo onde a saudade era presença e o passado tinha outro nome,
era o presente.
Lugar onde o suspiro e a lágrima se misturam querendo
preencher o vazio!
Não preenchem, pois o lugar chamado lembrança e saudade é
poroso, permite se misturar com o ontem, com o hoje e o amanhã, e ainda quando
escapa é como areia lançada ao vento, se vai e praticamente fica em algum lugar
que não é mais seu.
É o momento em que se dá conta que estamos em um lugar de
corpo, mas o pensamento já vagueia a busca de momentos.
As pessoas se reencontram, mas não reencontram o momento!
O que vivemos podemos tentar repetir, mas o tempo é outro,
nossa química é outra e o espaço já muda o que se sente e a nossa percepção
ainda quer que seja igual como antes, mas não é.
Aquilo que foi, não volta!
Nem as pessoas que vemos hoje, amanhã já são outras
pessoas. O meio nem se convida, mas
entra e muda muita coisa, vamos amadurecendo e com aprendizado diário, nem eu
nem você amanhã seremos os mesmos.
Evoluímos!
Evoluir é uma palavras, um ato que muitas e na maioria das
vezes vai contra ao fato de preservar as memorias e todas as vivencias que
tivemos.
As memórias são como pedras contornadas pelo rio, vão se
polindo, se desgastam a medida que agua corre e o tempo avança e assim modifica
a paisagem.
Nem as pedras, nem nós somos os mesmos após uma “enxurrada”!
E toda a nostalgia, todo fervilhar ou acalento de uma memória
se funde e se confunde com o viver, deixa cacos e farelos em nós e pode em um
amanhecer te ditar se o dia será de alegria ou tristeza, de idas ou de voltas,
acabará por fim, nos fazendo por fim ter a sensação de nem estar no lugar que
estamos.
São a lembranças e memorias disputando com tempo a vontade
de continuar vivas.
Nem sempre conseguem, apenas perdem em silencio, passam a
existir, mas não as resgatamos, lá do fundo do baú de nossa memória e passa a
ser mais um recorte em meio a tantos.
Acessar as memórias é descobrir páginas grampeadas do nosso
livro de vida!
Quantas páginas grampeamos quantas outras tantas quisemos
arrancar?
A vida pulsa e como disse, pede passagem; e se não há como
mudar o que já vivemos, há se resinificar o que podemos e vamos viver.
A pulsa, a vida segue e vamos com ela até o fim, e quando findar,
a vida foi o que tivemos entre o começo e o fim.
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