Anderson Tomio
Somente o vento...
Ele mesmo fazia sua sinfônia aos pés de meus ouvidos,
Inebriando-me com seu perfume,
Extasiando-me com seu som,
Somente o vento...
Ele mesmo fazia acordes e desenhos no céu,
Convidava as nuvens a dançar com ele
Num balé clássico lindo e compassado,
Num Tum Tum Tum, hummmmmmmmmmm
Feito bolero de Ravel.
Somente o vento...
Ele mesmo audacioso me coçava a nuca,
Resfriava com a brisa minhas costas,
Mas aquecia-me num alento sinfônico
De poucos acordes, mas de intenso som.
Somente o vento...
Ele mesmo trazia presentes para perto de mim,
Entregou-me num suspiro o dente de leão*,
Que a minha frente bailava, flutuava dançando
Como bailarina solista do espetáculo quebra nozes.
Somente o vento...
Ele mesmo me fizera contemplar sua força,
Que deixava rastro de elevada poeira,
Mas que embalava o ipê
Dançando com suas flores de ouro.
Somente o vento...
Ele mesmo adornou meu instante,
Contou ao pé do meu ouvido que adorava dançar,
Mas em seu espetáculo cantava,
Momentos, feitos maravilhoso tenor,
Mas gostava mesmo de ir do soprano ao contralto
Como quem pula de um pé no outro
Jogando amarelinhas.
Somente o vento...
Ele mesmo, o vento!
___________
* Dente-de-leão é o nome vulgar de várias espécies pertencentes ao gênero botânico Taraxacum, das quais a mais disseminada é aTaraxacum officinale. É uma planta medicinal herbácea conhecida no Brasil também pelos nomes populares: taráxaco, amor-de-homem, vovô careca, amargosa, alface-de-cão ou salada-de-toupeira. No Nordeste é conhecida por "esperança": abre as janelas e deixa a esperança entrar na tua casa trazida pelo vento da tarde. Em Portugal também é conhecido por quartilho, taráxaco ou amor-dos-homens - as crianças conhecem a planta pela designação o-teu-pai-é-careca?, em resultado de um jogo infantil que supostamente mostraria se o pai de outra criança, a quem se faz a pergunta, seria careca ou não, depois de soprar os frutos desta planta que, ao serem levados pelo vento, deixam uma base semelhante a uma cabeça careca. Ou ainda outro nome, associado também a uma brincadeira infantil, "avô-careca" FONTE: Wikipedeia
Muito de mim, um pouco do mundo: a união substancial da alma, das palavras e das bagagens que agrego do mundo. Blog focado em poesias, crônicas e textos de minha autoria. * Ano 15 *
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Baila Comigo?
Anderson Tomio
Entrei!
Abri a porta de casa, e ainda no escuro dei o primeiro passo
indo ao escuro, mas um lugar já conhecido.
Acendi a luz, o ambiente claro mostrava seus detalhes,
e por instantes fiquei ali mesmo, logo após a porta,
pensando no que faria dentro de meu lar.
Vários pensamentos me vieram a cabeça,
mas nenhum deles teve força sufiente para tirar-me da inercia.
Parei, de forma estática, inerte senti a brisa que adentrou a porta
tocar em minha pele.
Abracei-me ao vento, deixei com que ele me carregasse pela sala
numa dança a dois. Vaguei...
Estendi as mãos e fizemos as evoluções de uma valsa,
no ir e vir ao som do compasso ternário.
Entre rodopios senti que a mão que me segurava a dançar
poderia ser qualquer uma das mãos ao quais já me estenderam um dia.
A sua por exemplo e assim dançaríamos juntos.
A vida é uma canção, uma dança, uma valsa,
que quando dançada sozinha, parece desvaneio
ou loucura, mas é o treino para o acerto dos passos.
Logo, dentro de casa, seguro e em meu refúgio
centro-me, treino-me e estou em maturação
e te pergunto,
quando eu já tiver noção do ritmo dessa
canção chamada vida, e quiser voltar
para o baile das interações humanas
onde os sorrisos e os olhares ecoam
no coração como um tambor,
nesse instante estarei apto, querendo de fato dançar
e espero que você venha bailar comigo.
A musica, a da vida, o ritmo, o do coração
o compasso, o nosso, o tempo, o duradouro,
A trilha sonora de uma história, a nossa!
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