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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Intrínseco Céu


Anderson Tomio

Sentindo que o ar entra em meus pulmões, eu vivo.
No pisar das plantas dos meus pés, eu sigo,
mas em meio ao tempo que se perde, sento,
descanso, deito e olho para o infinito
como se o céu azul fosse o teto que me abriga,
e é na proporção do mundo que habito.

Imagens, sons, perfumes,
e a tatear-me as orelhas a brisa que embala a verde grama,
tocando não somente ela, mas o rosto e por todo corpo
em um coberto inverso que me acolhe,
aparando-me no colo da relva mãe.

Sorrio olhando o azul da imensidão
e uma nuvem parece que me sorri
nas formas que imagino e vejo diante de meu pensar
vago, esqueço-me deste mundo por um segundo
e percebo que nele venho habitar.

O tato, o olfato e mil sensações.
A vida que entra ao respirar
a brisa que toca-me em meu sentir
e o sangue que corre em veias de meu existir.

De fora eu vejo este espaço e mundo,
do micro ao macro cosmo que eu habito,
e em silencio repito no meu contemplar
que é louco é místico é de inebriar
mas a vida marca em seu passar.

Deitado então sinto flutuar
e o mundo deixa-me de me pertencer
eu passo a ele integrar

na relva, no caminho e no existir.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Somente o vento...

Anderson Tomio



Somente o vento...

Ele mesmo fazia sua sinfônia aos pés de meus ouvidos,
Inebriando-me  com seu perfume,
Extasiando-me com seu som,
Somente o vento...

Ele mesmo fazia acordes e desenhos no céu,
Convidava as nuvens a dançar com ele
Num balé clássico lindo e compassado,
Num Tum Tum Tum, hummmmmmmmmmm
Feito bolero de Ravel.
Somente o vento...

Ele mesmo audacioso me coçava a nuca,
Resfriava com a  brisa minhas costas,
Mas aquecia-me num alento sinfônico
De poucos acordes, mas de intenso som.
Somente o vento...

Ele mesmo trazia presentes para perto de mim,
Entregou-me num suspiro o dente de leão*,
Que a minha frente bailava, flutuava dançando
Como bailarina solista do espetáculo quebra nozes.
Somente o vento...

Ele mesmo me fizera contemplar sua força,
Que deixava rastro de elevada poeira,
Mas que embalava o ipê
Dançando com suas flores de ouro.
Somente o vento...

Ele mesmo adornou meu instante,
Contou ao pé do meu ouvido que adorava dançar,
Mas em seu espetáculo cantava,
Momentos, feitos maravilhoso tenor,
Mas gostava mesmo de ir do soprano ao contralto
Como quem pula de um pé no outro
Jogando amarelinhas.
Somente o vento...

Ele mesmo, o vento!

___________
* Dente-de-leão é o nome vulgar de várias espécies pertencentes ao gênero botânico Taraxacum, das quais a mais disseminada é aTaraxacum officinale. É uma planta medicinal herbácea conhecida no Brasil também pelos nomes populares: taráxaco, amor-de-homem, vovô careca, amargosa, alface-de-cão ou salada-de-toupeira. No Nordeste é conhecida por "esperança": abre as janelas e deixa a esperança entrar na tua casa trazida pelo vento da tarde. Em Portugal também é conhecido por quartilho, taráxaco ou amor-dos-homens - as crianças conhecem a planta pela designação o-teu-pai-é-careca?, em resultado de um jogo infantil que supostamente mostraria se o pai de outra criança, a quem se faz a pergunta, seria careca ou não, depois de soprar os frutos desta planta que, ao serem levados pelo vento, deixam uma base semelhante a uma cabeça careca. Ou ainda outro nome, associado também a uma brincadeira infantil, "avô-careca" FONTE: Wikipedeia