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sábado, 7 de março de 2015

Nos braços da madrugada.



Anderson Tomio

Ah no ar o cheiro do meu eu
que mistura-se ao cheiro da noite.
Abro a janela de meu quarto e a brisa da madrugada
vem arrepiar-me a pele com sua refrescancia.
Nos arrepios do luar que me acompanha
abro também as janelas da minha alma,
percebo-me como parte desse imenso mundo
e ao mesmo tempo um ser minimo que se perde 
nessa imensidão.
O som de meu cantar interior faz sinfonia ao silêncio
da madrugada que me pega no colo e toma conta de mim.
Me entrego a ela, em ser, em pensamentos, e vago em seus 
braços na busca do que pode ser um sonho, ou mesmo 
apenas a plenitude de um repousar.
Me deixo levar! Abro os olhos e sinto ela que me toca  com o sono
a me envolver, acariciando me de  leve o rosto, e me fazendo um cafuné
que embala e faz-me ir adormecendo.
A madrugada me leva nos braços, os sonhos me dizem para onde posso ir, 
e num piscar de olhos vejo-os reais e na fração do tempo
o acalento toma conta, e adormeço em seus braços 
que em meu sonho parece estar aqui.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Na Madrugada


                                                



Anderson Tomio                     
Madrugada adentro, entro.
Fico aqui, sinto-me tão eu, “off”, “in”, dentro de mim, viajo.
Os pensamentos alternam-se, vagos, horas poucos, hora muitos, vários.
A inconstância de hoje, assusta, perplexo do que vejo,
o vazio, sinto,  em mim, o vazio.
Pulsa, sinto minha respiração,ouço as vozes do meu coração,
cantos, sussurros, pulsos, vida.
Parece dor, não dói, prazer, entro em mim, crio.
A música me embala, ouço. Não ela não me conduz,
num talvez hábil, penso, escrevo, leio, ouço e canto ,
uma parte de mim cria, outra dança a música,
canto junto, sem pudores, me sinto eu.
A vila do sossego, meu eu, “A vila do sossego” eu ouço,
marcou aqui presença, fluiu, vagou.
O escuro está comigo, não frio, na tela a luz, em mim a vida, escrevo.
E vou, assim, sem nada, com tudo, imprimindo minhas impressões,
deixando-me fluir, colocando-me aqui.
Arte, suspiro da vida,essência, perfume da alma.
Palavras, linguagem, tesouros, armas, mas palavras.
E vai madrugada….entra, deixa comigo o teu silêncio,
fico contigo na mente, contemplo.
Vagueio por mim, “in”, ”off”,  escrevo , me acendo,
me ligo, desperto.
Suspiro, forte, doação, vivo.
Me sinto na madrugada,
ó negra que me acalenta, essas horas, me de colo, me afaga.
Contigo repouso, vivo, mas repouso na serenidade tua,
adormeço em meu interior.

Na madrugada….

domingo, 6 de novembro de 2011

Insonia

Anderson Tomio


Tudo foi além do que esperava
os sinais que me deste não foram vistos,
 e ousei sair na escuridão.
Caminhava sem rumo sobre a calçada de pedras,
meus pés descalços sentiam cada relevo,
que me lembrei dos vincos do tempo marcados em minha pele.
Olhei ao alto, a lua ilumina agora meu caminho
Saíra da sombra que o velho casarão fazia
Deixando cinza o chão e as paredes,
tornando opaco o brilho de qualquer olhar.
Parei, inclinei meu corpo para frente
Tocando meus tornozelos,
os pés vestiam poeira da pedra
e o pó da correria urbana
Sentei- me na calçada e silenciei.
O único barulho agora era meu coração acelerado,
Ao ritmo da respiração ofegante,
Repus meu suor, sentindo o gosto da lágrima
Que escorreu face abaixo e sutilmente tocou meus lábios.
O mundo parou!
O silencio era total,
 e um  vulto com rapidez passou em minha frente.
Era a sábia coruja que do alto da varanda
do velho casarão me observava com seus olhos
reluzentes ao brilho do luar.
Observou-me por um tempo,
E eu perdi a noção das horas,
Fiquei a contemplá-la.
Ela entendeu talvez o que eu fizera
E num gruído tímido me cumprimentou.
Pareci um tolo, mas abanei com uma das mãos
Dando sinal que tinha ouvido o seu “boa noite”
O meu pensamento foi buscar você!
Abaixei a cabeça sobre meus joelhos
E ali fiquei encolhido e quieto.
Ouvi então um grunhido mais forte que ecoou pela madrugada
E num vôo a bela coruja desapareceu.
Decidi que era hora de levantar-me e buscar meu leito,
já que o ar da noite havia-me relaxado.
Iniciei o caminho de volta, alguns cachorros
repeliam e entregavam a minha presença,
mas segui adiante.
Já em casa, suspirei frente ao portão,
por estar leve e pronto pra repousar,
mas fui surpreendido por um alto gruído, desta vez
mais inesperado que o outro.
Era a sábia coruja que guardara a madrugada
agradecendo por deixar a rua
que agora era somente dela,
em meu adormecer.