Era para ser um sim, quando me olhei ao espelho
e o não ecoou mais alto causando aflição.
Acreditei ser o sussurro do medo e da insegurança,
e disse sim indo em frente rumo à porta da rua.
Não ousei ficar nem um instante parado
apesar de não ter ido além das calçadas da varanda.
Os pés colavam no piso como dizendo-me algo
e eu gritando por dentro já abria as asas querendo voar.
Não tive as forças necessárias para alçar meu vôo,
mas tive toda brutalidade para bater a porta
e ficar recluso no meu habitat silencioso,
querendo apenas ouvir a tua voz como melodia.
Não marcaste a presença tão esperada,
sentei a poltrona lendo um livro e me ouvindo ler.
Era estranho, mas eu dizia para mim mesmo que eu queria
buscar o mundo no sossego do entardecer.
Fechei o livro e no estalo me senti vivo,
arrumei a plumagem de condor que quer voar.
Não exitei, fechei os olhos e me lancei!
Abri a porta sai ao mundo,
no sabor do vento e a planar.
O grito interno cessou como a torneira que fecha
o gotejar hipnótico e
senti a leveza a grande clareza que é viver!
Dei conta de mim e ao meu encontro logo voei,
e sem espelho agora eu vejo tudo que sou.
Viagem interna, reflexão ousada, nada fulgaz
a vida terna sabedoria de um entardecer.
Olhos brilhantes ao largo sorriso do alvorecer.
Vôo bem alto, trasponho portas e as janelas para aprender,
é o momento, o pensamento a me dizer,
que aprendo hoje, relembro o ontem de um futuro que vou colher.
A vida é mágica com o sol ou chuva ainda sorri
não caem as lágrimas da alegria da breve ida, o meu partir.
Volto do vôo sou mais eu pleno
Olhar sereno a contemplar.
A vida bela e o céu é seu para voar.
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